quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
André Gide - O imoralista
Estou lendo um de meus autores mais instigantes, dentro da literatura francesa (quase) contemporânea. Comecei com Gide ao sabor do acaso, pelo livro "Os moedeiros falsos", um romance com sabor autobiográfico onde o personagem Edouard é um escritor discutindo a feitura de um romance chamado "Os moedeiros falsos"...
Gide viveu numa época (final do século XIX, até meados do século XX) onde o homem - basicamente o europeu - via seus mundos ruírem: as duas grandes guerras e suas seqüelas para a humanidade. Homossexual numa época onde esta situação era tabu, André Gide construiu uma obra literária onde abordou várias questões pessoais com coragem e ousadia. Questionou a moral e valores burgueses, também.
A obra atual à qual me dedico é "Os frutos da terra", livro de 1897 onde o autor cria as bases de sua liberdade - pessoal e autoral - e os grandes temas de sua literatura.
Gide viveu numa época (final do século XIX, até meados do século XX) onde o homem - basicamente o europeu - via seus mundos ruírem: as duas grandes guerras e suas seqüelas para a humanidade. Homossexual numa época onde esta situação era tabu, André Gide construiu uma obra literária onde abordou várias questões pessoais com coragem e ousadia. Questionou a moral e valores burgueses, também.
A obra atual à qual me dedico é "Os frutos da terra", livro de 1897 onde o autor cria as bases de sua liberdade - pessoal e autoral - e os grandes temas de sua literatura.
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terça-feira, 11 de setembro de 2007
Mnemosine
Desta vez, o desafio é trabalhar a memória, tanto pessoal quanto a coletiva. A lembrança do que sabemos e também do que nunca vimos...
Evoquemos, então, a deusa mãe de todas as musas...
Memória não é memorialismo. Memória é um rio traiçoeiro de superfície quieta e águas profundas, lodosas. A memória é um jogo perigoso, daquilo que juramos lembrar nos mínimos detalhes, e a cada revisita ao fato, tudo parece mudar. As certezas caem, como castelos em ruínas... Palácio de espelhos, labirinto onde tudo é nada ao mesmo tempo, versões e reversões como cascas de uma cebola...
Memória enquanto experiência pessoal, única. Conjunto de lembranças que validam o ato de viver. Por tudo o que passei, caminhos e trilhas que percorri, a memória representa as pegadas - que gostaríamos que fossem sobre cimento fresco, que ao secar deixa marcas indeléveis, no entanto são passos na areia, água ou vento podem apagar.
Memória coletiva. A lembrança ancestral de coisas que não vimos, não sentimos, talvez tenhamos ouvido en passant, marcas que viajam através das eras em cadeias de DNA. Aquela sensação estranha de conhecer alguém, não desta vida, mas de tempos imemoriais... Lugares aonde chegamos pela primeira vez, mas que se tornam familiares num instante!
Desmemória, quando tudo o que possuíamos nos abandona tão de repente, nos esvazia, deixa no lugar tão somente o vácuo do nada do nada do nada que mais nada consegue preencher.
Evoquemos, então, a deusa mãe de todas as musas...
Memória não é memorialismo. Memória é um rio traiçoeiro de superfície quieta e águas profundas, lodosas. A memória é um jogo perigoso, daquilo que juramos lembrar nos mínimos detalhes, e a cada revisita ao fato, tudo parece mudar. As certezas caem, como castelos em ruínas... Palácio de espelhos, labirinto onde tudo é nada ao mesmo tempo, versões e reversões como cascas de uma cebola...
Memória enquanto experiência pessoal, única. Conjunto de lembranças que validam o ato de viver. Por tudo o que passei, caminhos e trilhas que percorri, a memória representa as pegadas - que gostaríamos que fossem sobre cimento fresco, que ao secar deixa marcas indeléveis, no entanto são passos na areia, água ou vento podem apagar.
Memória coletiva. A lembrança ancestral de coisas que não vimos, não sentimos, talvez tenhamos ouvido en passant, marcas que viajam através das eras em cadeias de DNA. Aquela sensação estranha de conhecer alguém, não desta vida, mas de tempos imemoriais... Lugares aonde chegamos pela primeira vez, mas que se tornam familiares num instante!
Desmemória, quando tudo o que possuíamos nos abandona tão de repente, nos esvazia, deixa no lugar tão somente o vácuo do nada do nada do nada que mais nada consegue preencher.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
O mundo é um déja vu contínuo
E a literatura não faz por menos. Em minhas incursões Orkuticas, não deparo com o "Cheiro de Infância" do João Silvério Trevisan como proposta de resgate na comunidade "Anos 80"?
Pois o exercício proposto pelo escritor consiste em resgatar na memória um cheiro de infância e, como se ele não mais existisse, descrevê-lo com metáforas, comparações, imagens, sem no entanto mencioná-lo nominalmente. É um belo exercício de subjetividade, mas com a intenção de tornar o cheiro reconhecível para o leitor. Uma bela evocação.
Claro, no orkut a pergunta era bem mais direta, apenas relembrar um cheiro que marcou a infância da galerinha 80, mas convenhamos que no mundo nada se cria, mas em certos casos o talento pessoal pode elaborar uma coisa banal e transformá-la num "algo mais", que por acaso pode ser a tão falada Literatura...
Pois o exercício proposto pelo escritor consiste em resgatar na memória um cheiro de infância e, como se ele não mais existisse, descrevê-lo com metáforas, comparações, imagens, sem no entanto mencioná-lo nominalmente. É um belo exercício de subjetividade, mas com a intenção de tornar o cheiro reconhecível para o leitor. Uma bela evocação.
Claro, no orkut a pergunta era bem mais direta, apenas relembrar um cheiro que marcou a infância da galerinha 80, mas convenhamos que no mundo nada se cria, mas em certos casos o talento pessoal pode elaborar uma coisa banal e transformá-la num "algo mais", que por acaso pode ser a tão falada Literatura...
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Em véspera de Laboratório
Hoje é um dia terrível: é quando a mente fervilha, em busca de todas as dúvidas que levaremos aos que acompanham o Laboratório da Escrita.
Claro, há a informação pertinente, o repertório mínimo que precisamos compartilhar com todos, mas espero que a maior contribuição que estejamos dando seja justamente a coleção de questionamentos sobre o fazer literário.
Encerraremos o segundo ciclo, já falamos sobre o movimento, daremos as amarras no espaço... para mergulharmos enfim no tempo literário. "Que é tempo? Têmpera regular de sentimentos interativos." "Que é sentimento? Toda e qualquer coisa flagrada na mente, em qualquer tempo.", já dizia o velho (e safado) Décio em Temperamental.
Pois que assim seja. Movimentemo-nos no espaço para chegar ao tempo de amanhã!
Claro, há a informação pertinente, o repertório mínimo que precisamos compartilhar com todos, mas espero que a maior contribuição que estejamos dando seja justamente a coleção de questionamentos sobre o fazer literário.
Encerraremos o segundo ciclo, já falamos sobre o movimento, daremos as amarras no espaço... para mergulharmos enfim no tempo literário. "Que é tempo? Têmpera regular de sentimentos interativos." "Que é sentimento? Toda e qualquer coisa flagrada na mente, em qualquer tempo.", já dizia o velho (e safado) Décio em Temperamental.
Pois que assim seja. Movimentemo-nos no espaço para chegar ao tempo de amanhã!
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Compartilhando a biblioteca I
De quando em vez, tentarei trazer até aqui alguns volumes da minha biblioteca. Apenas comentários subjetivos sobre gostos muito pessoais.
Para uma tarde paulista e fria como a de hoje, eu ficaria na companhia de Guilherme de Almeida, um poeta da primeira geração modernista, senhor absoluto dos versos, da rima, da métrica, que mereceu o título de Príncipe dos Poetas pelo seu virtuosismo. Grande tradutor da língua francesa (suas traduções de Baudelaire, acompanhadas de notas explicativas são uma lição dos dois idiomas), também cultivou e disseminou no Brasil o hai-kai, sendo que seus filhotes orientais são muito peculiares.
A título de curiosidade, o lay-out da capa da revista modernista Klaxon é de sua autoria, sendo G. de A. um de seus maiores entusiastas e colaboradores.
Dono de uma enorme sensibilidade, aliada à elegância de vocabulário e da maestria na composição poética, Guilherme é um autor para se degustar em uma poltrona macia, numa tarde sem compromissos e acompanhado de uma chávena de chá.
Para uma tarde paulista e fria como a de hoje, eu ficaria na companhia de Guilherme de Almeida, um poeta da primeira geração modernista, senhor absoluto dos versos, da rima, da métrica, que mereceu o título de Príncipe dos Poetas pelo seu virtuosismo. Grande tradutor da língua francesa (suas traduções de Baudelaire, acompanhadas de notas explicativas são uma lição dos dois idiomas), também cultivou e disseminou no Brasil o hai-kai, sendo que seus filhotes orientais são muito peculiares.
A título de curiosidade, o lay-out da capa da revista modernista Klaxon é de sua autoria, sendo G. de A. um de seus maiores entusiastas e colaboradores.
Dono de uma enorme sensibilidade, aliada à elegância de vocabulário e da maestria na composição poética, Guilherme é um autor para se degustar em uma poltrona macia, numa tarde sem compromissos e acompanhado de uma chávena de chá.
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
après 19 jours...
dezenove são os dias decorridos da última postagem... o que fiz neste tempo? trabalhei na lida insana e clichética do dia(a)dia, tal e qual nossos ancestrais corriam atrás da caça para sobreviver. o dinheiro é a caça moderna? e assim como às vezes os pa(leoliti)cmans corriam para NÃO SEREM comidos por uma caça que, por sua vez, os caçava, nós caçadores modernos muitas vezes temos que CORRER do prejuízo, já que correr atrás do prejuízo é um prejuízo ainda maior...
e meu fugaz leitor, atrás de quem corro (?) e que quiçá corra de mim (!), ou que corra atrás de meus escritos (!) enquanto corro afoita dele, sem nada escrever (?), este leitor virtual, hipotético, improvável, intangível, evanescente, cibernético, conhecido ou não se pergunta: qualé a tua, ó blogueira? vens com tamanha empáfia, com um presunçoso slogan, um título de blog pedante e? kd vc, bjs wlw fui!!!!!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
a literatura estevestáestará sempre presente mesmo nos meus dias de silêncio, e a pedidos de um amigo doutras terras neste mesmo continente sulamericano, também habitará entre nós a poesia.
sim, pois que o olhar atento do rapaz flagrou (delito!) a falta da poesia nas minhas postagens anteriores, o que, espero, não configure falta de poesia em meus escritos.
tenho, neste pretenso diário millietiano (para quem não conhece, sérgio milliet, crítico e autor modernista, contemporâneo, conterrâneo e colega do nosso aloprado oswald) abordado as caraminholas que passeiam por tantas voltas que o cérebro dá. e, tendenciosa dentro do meu objeto de estudo e trabalho que é o OULIPO, sempre puxado as brasas para meu escargotzinho.
é claro que, por dever profissional, eu tenha que pensar em todas as implicações do laboratório ainda pelos próximos meses, mas é que a cada dia que passa eu vejo OULIPO nos lugares mais engraçados possíveis... o mais recente foi o ORKUT, pode? entre tantas comunidades bobajol que eu A_DO_RO (porque não sou caxias de ficar só em comus de machado de assis e acadêmicos anêmicos), uma coisa que percebi é que existem muitos tópicos onde os membros fazem criações coletivas, um começa e a história não tem fim, por mais sem-pé-nem-cabeça que pareça, existe uma intenção de fazer e dar continuidade a uma obra de todos-e-ninguém ao mesmo tempo.
outra coisa freqüente são tópicos onde se estabelece uma regra qualquer de postagem, do tipo: atores de novela de A a Z, onde o primeiro posta o ator com A e os demais sucedem na ordem estabelecida. há regras simples com esta e outras mais complexas... o mais fascinante é perceber como as pessoas gostam de seguir estas regras para compor um universo, seja ele qual for, e também acompanhar como é difícil segui-las às vezes, pois um ou outro participante não consegue ater-se a uma proposta simples, ou se rebela mesmo e cria a sua própria regra dentro da regra, o que acaba tumultuando a proposta inicial. com o olhar treinado para estas questões, fica fácil identificar quem se perde dentro da regra e quem intencionalmente a manipula.
mas manipular a regra, ou restrição, não significa dominá-la, pois há aqueles que apenas a distorcem talvez por medo de serem dominados. é a grande maioria dos casos observados. mas há os virtuoses, que se saem com mérito do desafio, conduzindo a regra com segurança e precisão.
sim, sim, os eleitos como Georges Perec são minoria, que consigam fazer a restrição fluir como um rio de águas límpidas, mas que na verdade esconde um abismo inimaginável sob tanta placidez. sabe aquele laguinho zen que tem um vulcão adormecido?
voltando ao ORKUT, numa das comunidades literárias que participo, havia até um jogo onde a proposta era deixar um post com um texto que suprimisse a letra "a"! com certeza nem quem postou o tópico, nem os participantes que aderiram à brincadeira (na última vez que vi, haviam bem umas cento e tantas postagens!) sabiam que a técnica se chama "lipograma" e consiste em redigir um texto coerente, inteligível (e no caso oulipiano, literário) usando vocábulos sem determinada letra.
não resisti, brinquei, falei sobre OULIPO em meu texto. é um grande desafio criar um registro sobre alguma situação ou impressão, sendo cerceado da liberdade de usar o primeiro e mais fácil termo que nos vem à mente. talvez a potencialidade comece onde a obviedade termine. questão de limite ou território, já falados aqui em postagem anterior... mas é difícil, no começo, livrar-se de dogmas e paradigmas. não é fácil aceitar o fato de que "eu não posso fazer determinada coisa, mas posso fazer qualquer outra coisa no lugar"
e meu fugaz leitor, atrás de quem corro (?) e que quiçá corra de mim (!), ou que corra atrás de meus escritos (!) enquanto corro afoita dele, sem nada escrever (?), este leitor virtual, hipotético, improvável, intangível, evanescente, cibernético, conhecido ou não se pergunta: qualé a tua, ó blogueira? vens com tamanha empáfia, com um presunçoso slogan, um título de blog pedante e? kd vc, bjs wlw fui!!!!!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
a literatura estevestáestará sempre presente mesmo nos meus dias de silêncio, e a pedidos de um amigo doutras terras neste mesmo continente sulamericano, também habitará entre nós a poesia.
sim, pois que o olhar atento do rapaz flagrou (delito!) a falta da poesia nas minhas postagens anteriores, o que, espero, não configure falta de poesia em meus escritos.
tenho, neste pretenso diário millietiano (para quem não conhece, sérgio milliet, crítico e autor modernista, contemporâneo, conterrâneo e colega do nosso aloprado oswald) abordado as caraminholas que passeiam por tantas voltas que o cérebro dá. e, tendenciosa dentro do meu objeto de estudo e trabalho que é o OULIPO, sempre puxado as brasas para meu escargotzinho.
é claro que, por dever profissional, eu tenha que pensar em todas as implicações do laboratório ainda pelos próximos meses, mas é que a cada dia que passa eu vejo OULIPO nos lugares mais engraçados possíveis... o mais recente foi o ORKUT, pode? entre tantas comunidades bobajol que eu A_DO_RO (porque não sou caxias de ficar só em comus de machado de assis e acadêmicos anêmicos), uma coisa que percebi é que existem muitos tópicos onde os membros fazem criações coletivas, um começa e a história não tem fim, por mais sem-pé-nem-cabeça que pareça, existe uma intenção de fazer e dar continuidade a uma obra de todos-e-ninguém ao mesmo tempo.
outra coisa freqüente são tópicos onde se estabelece uma regra qualquer de postagem, do tipo: atores de novela de A a Z, onde o primeiro posta o ator com A e os demais sucedem na ordem estabelecida. há regras simples com esta e outras mais complexas... o mais fascinante é perceber como as pessoas gostam de seguir estas regras para compor um universo, seja ele qual for, e também acompanhar como é difícil segui-las às vezes, pois um ou outro participante não consegue ater-se a uma proposta simples, ou se rebela mesmo e cria a sua própria regra dentro da regra, o que acaba tumultuando a proposta inicial. com o olhar treinado para estas questões, fica fácil identificar quem se perde dentro da regra e quem intencionalmente a manipula.
mas manipular a regra, ou restrição, não significa dominá-la, pois há aqueles que apenas a distorcem talvez por medo de serem dominados. é a grande maioria dos casos observados. mas há os virtuoses, que se saem com mérito do desafio, conduzindo a regra com segurança e precisão.
sim, sim, os eleitos como Georges Perec são minoria, que consigam fazer a restrição fluir como um rio de águas límpidas, mas que na verdade esconde um abismo inimaginável sob tanta placidez. sabe aquele laguinho zen que tem um vulcão adormecido?
voltando ao ORKUT, numa das comunidades literárias que participo, havia até um jogo onde a proposta era deixar um post com um texto que suprimisse a letra "a"! com certeza nem quem postou o tópico, nem os participantes que aderiram à brincadeira (na última vez que vi, haviam bem umas cento e tantas postagens!) sabiam que a técnica se chama "lipograma" e consiste em redigir um texto coerente, inteligível (e no caso oulipiano, literário) usando vocábulos sem determinada letra.
não resisti, brinquei, falei sobre OULIPO em meu texto. é um grande desafio criar um registro sobre alguma situação ou impressão, sendo cerceado da liberdade de usar o primeiro e mais fácil termo que nos vem à mente. talvez a potencialidade comece onde a obviedade termine. questão de limite ou território, já falados aqui em postagem anterior... mas é difícil, no começo, livrar-se de dogmas e paradigmas. não é fácil aceitar o fato de que "eu não posso fazer determinada coisa, mas posso fazer qualquer outra coisa no lugar"
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sexta-feira, 6 de julho de 2007
Sagrado e Profano
Discussões que afloraram no Laboratório esta noite: o que é, o que não é.
O não-é, algo fácil de definir. Uma porção de negações do é. Negar por três vezes. O não-é é um ser não-sendo.
O é. Indefinível, a cor do invisível, dizer o indizível. Ser é a instância máxima, não há palavras que alcancem a magnitude de ser? Ser é completo. Que é o Tao? Tentar definir é se afastar do Tao. As representações da coisa não são a coisa. Uma foto não é uma cadeira, a palavra cadeira não é o objeto, será ao menos objetiva?
"A Terra é azul" - "O céu não é azul" - em quem acreditar, Yuri Gagarin ou Padre Vieira? O que é o azul? Kieslowski tem razão: "A liberdade é azul". Duas coisas impalpáveis, mas sensíveis.
Fronteiras a localizar, demarcar, ultrapassar. Estou do lado de dentro ou de fora desta cidadela?
Um limite: propriedade ou prisão.
Tantas perguntas nestas almas ávidas por respostas. Respostas poucas para razões famintas.
Cidades invisíveis desfilam no espaçotempo: janelas que olham para São Caetano valem mais do que janelas que olham para Santo André. Mas as janelas cerram seus olhos para estas diferenças. E os donos das tais janelas olham para seus umbigos adornados de piercings que valem mais do que os dez mil dinheiros...
Navegar é preciso, viver não é preciso.... medições, cálculos, previsões... Não há bússolas que orientem o viver, no tempo de Fernando Pessoa não havia essas tábuas de salvação das auto(a)judas. Querer tornar o viver previsível, cabível numa fórmula, equacionável?
Assim é com a Literatura. Não cabe numa estatística, as grandes obras que nos inquietam não seguem a receitinha da Ana Maria Praga. São frutos da vida vivida com suas dores e alegrias, sem fazer nenhum tipo de concessão.
Que o digam a santíssima trindade Marcel Duchamp, Dante Alighieri, Leonilson. Amém!
O não-é, algo fácil de definir. Uma porção de negações do é. Negar por três vezes. O não-é é um ser não-sendo.
O é. Indefinível, a cor do invisível, dizer o indizível. Ser é a instância máxima, não há palavras que alcancem a magnitude de ser? Ser é completo. Que é o Tao? Tentar definir é se afastar do Tao. As representações da coisa não são a coisa. Uma foto não é uma cadeira, a palavra cadeira não é o objeto, será ao menos objetiva?
"A Terra é azul" - "O céu não é azul" - em quem acreditar, Yuri Gagarin ou Padre Vieira? O que é o azul? Kieslowski tem razão: "A liberdade é azul". Duas coisas impalpáveis, mas sensíveis.
Fronteiras a localizar, demarcar, ultrapassar. Estou do lado de dentro ou de fora desta cidadela?
Um limite: propriedade ou prisão.
Tantas perguntas nestas almas ávidas por respostas. Respostas poucas para razões famintas.
Cidades invisíveis desfilam no espaçotempo: janelas que olham para São Caetano valem mais do que janelas que olham para Santo André. Mas as janelas cerram seus olhos para estas diferenças. E os donos das tais janelas olham para seus umbigos adornados de piercings que valem mais do que os dez mil dinheiros...
Navegar é preciso, viver não é preciso.... medições, cálculos, previsões... Não há bússolas que orientem o viver, no tempo de Fernando Pessoa não havia essas tábuas de salvação das auto(a)judas. Querer tornar o viver previsível, cabível numa fórmula, equacionável?
Assim é com a Literatura. Não cabe numa estatística, as grandes obras que nos inquietam não seguem a receitinha da Ana Maria Praga. São frutos da vida vivida com suas dores e alegrias, sem fazer nenhum tipo de concessão.
Que o digam a santíssima trindade Marcel Duchamp, Dante Alighieri, Leonilson. Amém!
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laboratório da escrita,
literatura
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Literatura é:
Quem pode definir o que literatura é? Aquele que estuda os livros e autores como se mortos fossem, dando classificações assépticas e homogêneas, catalogando, rotulando, dissecando e armazenando em vidros cheios de formol?
O leitor voraz e sôfrego, perdido num mar de títulos, tendo que (quase sempre) julgar um livro pela capa (que parece uma embalagem de bombom ou cigarro, há sempre os homens do marketing dando um layout tentador, sedutor, induzindo mesmo a comprar)? Tantos livros escritos, ora seguindo regras e restrições, ora técnicas e macetes, ora formas e formas...
O autor: esta figura que nem sempre é o Narrador proustiano, será que saberá o que é literatura? "Literatura é tudo aquilo que o autor chamar de literatura"...???!!! Aquele que escreve uns rascunhos, manda para um editor, este aponta os aspectos mais comerciais da "obra", recomenda que o cidadão faça um "curso de técnicas de escrita", depois volte com as idéias mais aclaradas. E o sujeito vai, matricula-se no curso, paga as 12 mensalidades do "carnê do baú da literatura", sai com diploma de escritor, originais debaixo do braço (realmente uma obra suada...), pede a um professor conhecido que corrija a ortografia e a sintaxe, as concordâncias e desinências verbais, as próclises, ênclises e mesóclises, o agente da passiva, o verbo bi-transitivo, pois nestes detalhes não é muito bom..., volta ao editor, e bingo!, mais um livro se publica. Quem é o autor mesmo deste frankenstein? Mr. Hyde ou Dr. Jekill?
E mais uma vez pergunto: O que é mesmo que eu queria saber?
O leitor voraz e sôfrego, perdido num mar de títulos, tendo que (quase sempre) julgar um livro pela capa (que parece uma embalagem de bombom ou cigarro, há sempre os homens do marketing dando um layout tentador, sedutor, induzindo mesmo a comprar)? Tantos livros escritos, ora seguindo regras e restrições, ora técnicas e macetes, ora formas e formas...
O autor: esta figura que nem sempre é o Narrador proustiano, será que saberá o que é literatura? "Literatura é tudo aquilo que o autor chamar de literatura"...???!!! Aquele que escreve uns rascunhos, manda para um editor, este aponta os aspectos mais comerciais da "obra", recomenda que o cidadão faça um "curso de técnicas de escrita", depois volte com as idéias mais aclaradas. E o sujeito vai, matricula-se no curso, paga as 12 mensalidades do "carnê do baú da literatura", sai com diploma de escritor, originais debaixo do braço (realmente uma obra suada...), pede a um professor conhecido que corrija a ortografia e a sintaxe, as concordâncias e desinências verbais, as próclises, ênclises e mesóclises, o agente da passiva, o verbo bi-transitivo, pois nestes detalhes não é muito bom..., volta ao editor, e bingo!, mais um livro se publica. Quem é o autor mesmo deste frankenstein? Mr. Hyde ou Dr. Jekill?
E mais uma vez pergunto: O que é mesmo que eu queria saber?
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