quarta-feira, 25 de julho de 2007

après 19 jours...

dezenove são os dias decorridos da última postagem... o que fiz neste tempo? trabalhei na lida insana e clichética do dia(a)dia, tal e qual nossos ancestrais corriam atrás da caça para sobreviver. o dinheiro é a caça moderna? e assim como às vezes os pa(leoliti)cmans corriam para NÃO SEREM comidos por uma caça que, por sua vez, os caçava, nós caçadores modernos muitas vezes temos que CORRER do prejuízo, já que correr atrás do prejuízo é um prejuízo ainda maior...

e meu fugaz leitor, atrás de quem corro (?) e que quiçá corra de mim (!), ou que corra atrás de meus escritos (!) enquanto corro afoita dele, sem nada escrever (?), este leitor virtual, hipotético, improvável, intangível, evanescente, cibernético, conhecido ou não se pergunta: qualé a tua, ó blogueira? vens com tamanha empáfia, com um presunçoso slogan, um título de blog pedante e? kd vc, bjs wlw fui!!!!!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

a literatura estevestáestará sempre presente mesmo nos meus dias de silêncio, e a pedidos de um amigo doutras terras neste mesmo continente sulamericano, também habitará entre nós a poesia.

sim, pois que o olhar atento do rapaz flagrou (delito!) a falta da poesia nas minhas postagens anteriores, o que, espero, não configure falta de poesia em meus escritos.

tenho, neste pretenso diário millietiano (para quem não conhece, sérgio milliet, crítico e autor modernista, contemporâneo, conterrâneo e colega do nosso aloprado oswald) abordado as caraminholas que passeiam por tantas voltas que o cérebro dá. e, tendenciosa dentro do meu objeto de estudo e trabalho que é o OULIPO, sempre puxado as brasas para meu escargotzinho.

é claro que, por dever profissional, eu tenha que pensar em todas as implicações do laboratório ainda pelos próximos meses, mas é que a cada dia que passa eu vejo OULIPO nos lugares mais engraçados possíveis... o mais recente foi o ORKUT, pode? entre tantas comunidades bobajol que eu A_DO_RO (porque não sou caxias de ficar só em comus de machado de assis e acadêmicos anêmicos), uma coisa que percebi é que existem muitos tópicos onde os membros fazem criações coletivas, um começa e a história não tem fim, por mais sem-pé-nem-cabeça que pareça, existe uma intenção de fazer e dar continuidade a uma obra de todos-e-ninguém ao mesmo tempo.

outra coisa freqüente são tópicos onde se estabelece uma regra qualquer de postagem, do tipo: atores de novela de A a Z, onde o primeiro posta o ator com A e os demais sucedem na ordem estabelecida. há regras simples com esta e outras mais complexas... o mais fascinante é perceber como as pessoas gostam de seguir estas regras para compor um universo, seja ele qual for, e também acompanhar como é difícil segui-las às vezes, pois um ou outro participante não consegue ater-se a uma proposta simples, ou se rebela mesmo e cria a sua própria regra dentro da regra, o que acaba tumultuando a proposta inicial. com o olhar treinado para estas questões, fica fácil identificar quem se perde dentro da regra e quem intencionalmente a manipula.

mas manipular a regra, ou restrição, não significa dominá-la, pois há aqueles que apenas a distorcem talvez por medo de serem dominados. é a grande maioria dos casos observados. mas há os virtuoses, que se saem com mérito do desafio, conduzindo a regra com segurança e precisão.

sim, sim, os eleitos como Georges Perec são minoria, que consigam fazer a restrição fluir como um rio de águas límpidas, mas que na verdade esconde um abismo inimaginável sob tanta placidez. sabe aquele laguinho zen que tem um vulcão adormecido?

voltando ao ORKUT, numa das comunidades literárias que participo, havia até um jogo onde a proposta era deixar um post com um texto que suprimisse a letra "a"! com certeza nem quem postou o tópico, nem os participantes que aderiram à brincadeira (na última vez que vi, haviam bem umas cento e tantas postagens!) sabiam que a técnica se chama "lipograma" e consiste em redigir um texto coerente, inteligível (e no caso oulipiano, literário) usando vocábulos sem determinada letra.

não resisti, brinquei, falei sobre OULIPO em meu texto. é um grande desafio criar um registro sobre alguma situação ou impressão, sendo cerceado da liberdade de usar o primeiro e mais fácil termo que nos vem à mente. talvez a potencialidade comece onde a obviedade termine. questão de limite ou território, já falados aqui em postagem anterior... mas é difícil, no começo, livrar-se de dogmas e paradigmas. não é fácil aceitar o fato de que "eu não posso fazer determinada coisa, mas posso fazer qualquer outra coisa no lugar"

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