terça-feira, 11 de setembro de 2007

Mnemosine

Desta vez, o desafio é trabalhar a memória, tanto pessoal quanto a coletiva. A lembrança do que sabemos e também do que nunca vimos...

Evoquemos, então, a deusa mãe de todas as musas...

Memória não é memorialismo. Memória é um rio traiçoeiro de superfície quieta e águas profundas, lodosas. A memória é um jogo perigoso, daquilo que juramos lembrar nos mínimos detalhes, e a cada revisita ao fato, tudo parece mudar. As certezas caem, como castelos em ruínas... Palácio de espelhos, labirinto onde tudo é nada ao mesmo tempo, versões e reversões como cascas de uma cebola...

Memória enquanto experiência pessoal, única. Conjunto de lembranças que validam o ato de viver. Por tudo o que passei, caminhos e trilhas que percorri, a memória representa as pegadas - que gostaríamos que fossem sobre cimento fresco, que ao secar deixa marcas indeléveis, no entanto são passos na areia, água ou vento podem apagar.

Memória coletiva. A lembrança ancestral de coisas que não vimos, não sentimos, talvez tenhamos ouvido en passant, marcas que viajam através das eras em cadeias de DNA. Aquela sensação estranha de conhecer alguém, não desta vida, mas de tempos imemoriais... Lugares aonde chegamos pela primeira vez, mas que se tornam familiares num instante!

Desmemória, quando tudo o que possuíamos nos abandona tão de repente, nos esvazia, deixa no lugar tão somente o vácuo do nada do nada do nada que mais nada consegue preencher.

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