sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sagrado e Profano

Discussões que afloraram no Laboratório esta noite: o que é, o que não é.
O não-é, algo fácil de definir. Uma porção de negações do é. Negar por três vezes. O não-é é um ser não-sendo.
O é. Indefinível, a cor do invisível, dizer o indizível. Ser é a instância máxima, não há palavras que alcancem a magnitude de ser? Ser é completo. Que é o Tao? Tentar definir é se afastar do Tao. As representações da coisa não são a coisa. Uma foto não é uma cadeira, a palavra cadeira não é o objeto, será ao menos objetiva?
"A Terra é azul" - "O céu não é azul" - em quem acreditar, Yuri Gagarin ou Padre Vieira? O que é o azul? Kieslowski tem razão: "A liberdade é azul". Duas coisas impalpáveis, mas sensíveis.
Fronteiras a localizar, demarcar, ultrapassar. Estou do lado de dentro ou de fora desta cidadela?
Um limite: propriedade ou prisão.
Tantas perguntas nestas almas ávidas por respostas. Respostas poucas para razões famintas.
Cidades invisíveis desfilam no espaçotempo: janelas que olham para São Caetano valem mais do que janelas que olham para Santo André. Mas as janelas cerram seus olhos para estas diferenças. E os donos das tais janelas olham para seus umbigos adornados de piercings que valem mais do que os dez mil dinheiros...
Navegar é preciso, viver não é preciso.... medições, cálculos, previsões... Não há bússolas que orientem o viver, no tempo de Fernando Pessoa não havia essas tábuas de salvação das auto(a)judas. Querer tornar o viver previsível, cabível numa fórmula, equacionável?
Assim é com a Literatura. Não cabe numa estatística, as grandes obras que nos inquietam não seguem a receitinha da Ana Maria Praga. São frutos da vida vivida com suas dores e alegrias, sem fazer nenhum tipo de concessão.
Que o digam a santíssima trindade Marcel Duchamp, Dante Alighieri, Leonilson. Amém!

Nenhum comentário: